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Três dias na Cidade do México: relato honesto de uma primeira visita

Três dias na Cidade do México: relato honesto de uma primeira visita

Cheguei na Cidade do México com uma planilha e uma leve ansiedade sobre a altitude. Parti com os dedos manchados de pimenta, um conhecimento absurdo de mezcal e um plano de voltar. É o que realmente aconteceu em 72 horas — o bom, o mal calculado e o que eu gostaria que alguém tivesse me dito antes de pousar.

Chegada e primeiro dia: altitude, Uber e descobrindo Roma

O voo pousou no MEX às 23h. O aeroporto em si é gerenciável, mas a situação de táxis na saída é caótica — homens de camisa polo se aproximam imediatamente oferecendo corridas. Eu tinha lido o suficiente para ignorá-los e procurar a área oficial de embarque de Uber/DiDi (Terminal 1: siga as placas para o nível superior, Zona A/B). O aplicativo mostrou uma tarifa de 280 MXN (cerca de US$ 14) para Roma Norte. Esperei 8 minutos. O motorista não falava inglês; eu falava espanhol suficiente para confirmar o destino.

A viagem para a cidade à meia-noite: escura, rápida, desorientante. As vias expressas não dão noção de onde você está. Depois, de repente, as ruas estreitam e há barracas de tacos al pastor iluminadas por lâmpadas de calor à 1h da manhã. Essa foi minha primeira percepção de que a cidade realmente não dorme.

A altitude chegou no café da manhã. Acordei no primeiro dia sentindo-me bem. Mas ao subir quatro lances de escada até um café na cobertura na Álvaro Obregón, eu estava respirando mais forte do que o esforço exigia. Nada alarmante, apenas perceptível. Bebi dois litros de água naquela manhã e praticamente ignorei o resto pela tarde. Se você está vindo do nível do mar, vá com calma no primeiro dia — 2.240 m não é o Everest, mas é real.

O plano do primeiro dia era ambicioso. Eu tinha programado: Museo Nacional de Antropología, Castelo de Chapultepec, Centro Histórico, Zócalo e Coyoacán. O que fiz: Parque México (fiquei 45 minutos tomando café gelado), o Museo Nacional de Antropología e uma caminhada pelo bairro Roma-Condesa. Só isso.

O Museo Nacional de Antropología no Chapultepec sozinho leva 3–4 horas se feito a sério. A sala da Pedra do Sol asteca é genuinamente impactante. Não pule, mas reserve a manhã inteira. Entrada: cerca de 85 MXN (aproximadamente US$ 4). Fechado às segundas.

O jantar foi no El Hidalguense na Campeche em Roma Sur — um local sem frescuras de barbacoa popular entre os chilangos. Paguei 180 MXN por um prato completo de barbacoa de cordeiro com caldo consommé, tortilhas feitas na hora e salsa verde. Somente dinheiro. A melhor refeição da viagem.

O que calculei errado: tentar ver demais no primeiro dia. Três dias na CDMX não são suficientes para “cobrir” a cidade. Escolha três ou quatro coisas e faça-as direito.

Segundo dia: Centro Histórico, Coyoacán e a decisão do tour gastronômico

Caminhei de Roma Norte até o Centro Histórico — cerca de 45 minutos. Esta é uma cidade real com trânsito real: a caminhada passa por bairros em transição e dá noção da escala. Alternativamente, o metrô custa 7 MXN por viagem e a linha 1 (rosa) conecta as estações próximas a Roma às estações do centro histórico.

A primeira impressão do Centro Histórico: vasto, barulhento, vivo. O Zócalo é uma das maiores praças públicas do mundo. A Catedral Metropolitana afunda visivelmente no solo mole do antigo lago — há décadas corrigindo sua inclinação. O Palácio Nacional tem murais de Diego Rivera na escadaria principal com entrada gratuita no horário de visita. A fila para a segurança pode levar 20–30 minutos, mas vale a pena.

O Templo Mayor (guia completo aqui) fica ao lado — um templo asteca pré-colombiano escavado sob edifícios coloniais nos anos 1970. O museu anexo às ruínas é excelente. Entrada: cerca de 85 MXN.

No meio da tarde: peguei um Uber para Coyoacán (cerca de 180 MXN, 25 minutos sem trânsito; 45 minutos com). O bairro de Coyoacán é o que as pessoas imaginam quando pensam no “México colonial” — paralelepípedos, casas coloridas, uma praça principal com árvores. O Museu Frida Kahlo (Casa Azul) exige ingresso pré-agendado com horário marcado. Eu não tinha reservado com antecedência. Estava esgotado. Não cometa meu erro.

A questão do tour gastronômico: eu estava em dúvida sobre fazer um tour gastronômico estruturado na tarde do segundo dia. Acabei reservando um na chegada — um passeio a pé de comida de rua de 3 horas pelo Centro e a área do Mercado de La Merced. Custo: cerca de 900 MXN (US$ 45). Veredicto: genuinamente útil numa primeira visita. O guia explicou contextos que eu teria perdido (qual barraca do mercado existe há 40 anos, o que realmente são os tacos de canasta) e comer 8 pequenas coisas ao longo de 3 horas fez mais sentido do que sentar num restaurante. O guia de tours gastronômicos tem opções para diferentes focos de bairro.

Tour a pé de degustação gastronômica no Centro Histórico

Noite: mezcal numa mezcalería em Roma Norte. Fui ao Bósforo na Luis Moya (centro histórico, tecnicamente, mas vale a viagem). 120 MXN por uma dose de bom mezcal espadín. O guia de mezcal vs. tequila é uma leitura útil antes do seu primeiro pedido.

Terceiro dia: Teotihuacán e a questão da tarde

O terceiro dia foi o passeio de dia para Teotihuacán. As pirâmides do Sol e da Lua ficam a cerca de 50 km ao norte da CDMX. Como chegar de forma independente: metrô até Terminal Norte (cerca de 60 minutos de Roma), depois o ônibus Autobuses del Norte até San Juan Teotihuacán (cerca de 45 minutos, 60 MXN). Tempo total porta a porta: 2–2h30. Ou um tour guiado que busca você no hotel e leva aproximadamente o mesmo tempo, mas cuida de tudo.

Uma coisa que eu não sabia: não é possível subir nas pirâmides. Desde 2024, a escalada foi proibida permanentemente para proteger as estruturas. Você caminha ao redor e entre elas, o que ainda é impressionante — a Avenida dos Mortos se estende por 2 km e a escala se revela ao percorrê-la a pé. O sítio é vasto e plano; use calçado confortável e proteção solar. Cheguei aos portões às 9h (evitando a aglomeração das 11h–14h no calor).

O sítio arqueológico custa 100 MXN. Há várias entradas — o Portão 1 é mais próximo da Pirâmide da Lua, o Portão 3 da Pirâmide do Sol. A maioria dos tours entra pelo Portão 1.

Tour de meio dia com acesso matinal a Teotihuacán

De volta à CDMX às 14h. Tarde: caminhei pelo San Ángel (aos sábados há o Bazar del Sábado de artes e artesanato — verifique as datas se isso for relevante para você) e depois um último passeio pelas taquerias em Condesa. O taco no Tacos Hola! na Ámsterdam — pastor com abacaxi, 25 MXN cada — foi o que fiquei pensando no avião de volta.

O que me surpreendeu na Cidade do México

A comida é dramaticamente melhor e mais barata do que eu esperava. Uma tigela de pozole numa barraca de mercado: 80 MXN. Um almoço decente em restaurante (comida corrida: sopa, prato principal, bebida): 120–180 MXN. Um taco al pastor: 20–30 MXN. Você pode comer extraordinariamente bem na CDMX com orçamento reduzido.

A situação de segurança não é o que as manchetes sugerem. Em Roma, Condesa, Coyoacán, Polanco e no centro histórico durante o dia, me senti tão confortável quanto em qualquer grande cidade europeia. Usei o metrô (movimentado, um pouco caótico, sem problemas), caminhei à noite em Roma e comi em barracas de rua à 1h da manhã. O guia honesto de segurança para 2026 cobre os bairros que realmente exigem cautela — há zonas que se deve evitar, mas não é onde os turistas normalmente estão.

A altitude é real, mas gerenciável. Dor de cabeça na manhã do primeiro dia, falta de ar nas escadas por dois dias, e só. Mantive-me hidratado e não tentei exercício intenso até o segundo dia. O guia de altitude tem detalhes práticos.

Três dias não são suficientes. A cidade é enorme — com 22 milhões de pessoas na área metropolitana, é uma das maiores áreas urbanas do mundo. Cobri talvez 5% do que queria ver. O roteiro de 4 dias ou 5 dias teria sido mais honesto para uma primeira visita.

As três coisas que faria diferente

  1. Reservar o Museu Frida Kahlo com semanas de antecedência. Ele esgota, especialmente nos fins de semana.
  2. Ficar em Roma Norte em vez de perto do aeroporto. Alguns hotéis perto do Terminal 1 se vendem para passageiros em trânsito; eles acrescentam 40 minutos de Uber a tudo.
  3. Reservar uma tarde de nada. A cidade se move no seu próprio ritmo. Sentar numa mesa de terraço em Condesa assistindo as pessoas passarem é uma atividade por si só.

Praticamente falando

  • Dinheiro: mantenha 500–1.000 MXN consigo sempre. Cartões funcionam em restaurantes em Roma e Condesa, raramente em taquerias e mercados.
  • Água da torneira: não beba. Compre água purificada (garrafão) no hotel ou na OXXO (5–10 MXN por 600 ml). O guia de água e segurança alimentar explica o que é e não é seguro.
  • Aplicativos: Uber e DiDi são essenciais. Nunca pegue um táxi não identificado na rua.
  • Espanhol: mesmo algumas frases ajudam. O inglês é comum em áreas turísticas, menos no metrô ou em barracas de mercado.